Imagine que vai almoçar ou jantar a casa de um amigo que é chef de profissão. É essa a experiência que pode ter n’A Casa da Carla, o novo restaurante de Azeitão onde a simpatia, atenção e cuidado do staff andam de mãos dadas com a qualidade da comida que é servida.
Carla Pereira, a responsável de 52 anos, carrega na bagagem um percurso pouco convencional: entre o jornalismo, a decoração e a psicologia, foi na restauração que se encontrou.
“Abrir este restaurante significa que finalmente tenho a minha casa. O espaço tem muito a ver comigo, tanto a nível das cores, como da decoração. A cozinha é arte, o artesanato também e é a fusão destas duas paixões que culmina neste projeto”, conta Carla, agora proprietária deste espaço que antes geria.
Da Madeira para Setúbal, de gerente a dona
Natural da Ilha da Madeira, Carla chegou há três anos a Setúbal para gerir o restaurante Charroco, na Avenida Luísa Todi, e rapidamente se tornou uma figura bem conhecida no meio. Além disso, também esteve à frente de mais três outros espaços em simultâneo, incluindo o antigo Peixe da Vila, onde hoje está A Casa da Carla.
“Não era sócia, era gerente, mas foi aí que me apaixonei verdadeiramente por isto. Quando surgiu a oportunidade de ficar com este espaços, agarrei-a. Apesar de todas as adversidades, sabia que queria dar um refresh total e criar um restaurante com o meu ADN”, explica.
O conceito anterior, centrado no peixe, já não correspondia às suas ideias, nem às necessidades da zona. “O Peixe da Vila já tinha sido um bom restaurante, mas a afluência estava a cair. Quisemos mudar de ares e dar nova vida ao espaço, com um foco maior na carne, já que a estação também vai mudar”.
Inaugurado a 11 de setembro, A Casa da Carla aposta numa cozinha de conforto que mistura sabores tradicionais, petiscos modernos e um toque emocional. “Queria trazer algo da minha terra. A poncha, por exemplo, é feita diariamente e oferecemos um shot a todos clientes. É uma forma de me sentir sempre em casa, de partilhar isso com quem nos visita”.
A carta foi toda pensada ao pormenor e organizada de forma original: os clientes recebem um menu em papel, com lápis, e vão assinalando os pratos que querem comer. “É uma forma divertida de voltar atrás no tempo e fugir aos QR codes que se tornaram tão impessoais”.
No couvert, há sempre uma cortesia da casa: um creme de abóbora quentinho, que prepara o estômago para a refeição que se segue.
Dos bifes aos petiscos: os bestsellers da casa
Se, por um lado, Carla quis sair do registo do peixe, por outro não o excluiu totalmente: “Temos sempre um peixe do dia fresco, que vamos variando”, adianta. No entanto, o foco está nas carnes e nos petiscos.
Entre os pratos mais pedidos estão o bife à cervejeira com batata frita (14,50€), o bife cinco pimentas com puré de batata (15€) e a açorda de camarão (14€), todos preparados com produtos frescos e acompanhados por uma carta de vinhos regionais, que combinam com os sabores da carne.
O toque madeirense também se sente na comida. Como petiscos, há bolo do caco com três sabores (e três cores) com manteiga de alho (3€) e uma espetada à madeirense com milho frito e salada (18€).
Para terminar, não faltam sobremesas feitas para partilhar, como a mousse de chocolate da casa, com flor de sal e azeite, pensada com esse propósito. “A ideia é mesmo essa: partilhar. Porque é assim que também vivemos aqui. É uma casa que se partilha com os outros”.
Decoração pensada ao detalhe
Todo o espaço foi idealizado por Carla, que já foi decoradora “Fiz de tudo um pouco. Quando pensava neste restaurante, via detalhes ligados à terra e ao mar, artigos naturais. O amarelo, por exemplo, está presente porque é a cor da fome, da criatividade e da alegria”.
O ambiente é leve, intimista, sem excessos, mas cheio de personalidade. Há detalhes que contam histórias, e muito artesanato envolvido, porque, para a dona do espaço, a gastronomia e a arte caminham juntas.
O restaurante funciona de quinta a terça-feira, entre as 12 horas e as 15h30, e ainda abre para jantares às sextas e sábados, das 19 horas às 22 horas. Às quartas-feiras fecha para descanso.
Há 44 lugares no interior, 12 na esplanada e ainda uma sala no piso superior, com capacidade para 20 pessoas. “Apesar de não termos horário de jantar, abrimos por reserva durante a semana para grupos de 8 a 30 pessoas”
Mais do que um restaurante, uma experiência
A Casa da Carla não é apenas mais um restaurante, é um espaço onde cada cliente é tratado como um amigo e cada prato traz memórias da Ilha da Madeira e da vida. “Alimento-me das palavras dos clientes. O sorriso com que saem daqui é o meu maior salário”, explica Carla.
Se ainda não conhece, fica na Rua Luísa Tody, em Azeitão (a não confundir com a Avenida Luísa Todi em Setúbal, como já aconteceu a várias pessoas).
Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor o novo espaço de Azeitão.

LET'S ROCK







