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Já serviu Barack Obama. Agora, abriu um brunch “outlet” onde só os sabores contam

Emmanuel Soares é o responsável pelo Brant, que chegou à Avenida Luísa Todi, em maio.
É muito instagramável.

Dezenas de países, centenas de negócios, anos de experiência e conhecimentos de várias técnicas, sabores e ingredientes, ao serviço de personalidades famosas em todo o mundo. Esta é apenas uma parte do currículo do chef Emmanuel Soares. O que poucos sabem é que este troca a agitação por um momento a comer choco frito com o pai, em Setúbal.

O chef francês, 52 anos, sente que a cidade do Sado é um refúgio. Um pedaço de paraíso que conquista até os mais céticos. O que o faz feliz — além, claro, da sua profissão — é pegar na mota e percorrer caminho até Azeitão, estar com a família e aproveitar os pequenos momentos. Foram todas estas razões que o levaram a abrir, a 1 de maio, o Brant, o novo espaço de brunch da Avenida Luísa Todi. Ali, vai encontrar, como o chef explicou à NiS, uma “desorganização organizada” de oferta.

Nasceu em Paris, filho de pais alentejanos, e começou a cozinhar por volta dos 15 anos. Fez carreira e geriu cozinhas por todo o mundo, da Ucrânia às Maldivas, da Suíça ao Dubai. Um dos momentos que recorda da sua carreira, foi o dia em que Barack Obama viajou pela primeira vez até à Rússia, em 2009, para um encontro com Vladimir Putin, então primeiro-ministro, ainda no interregno entre mandatos como presidente.

O antigo agente do KGB sugeriu que a conversa decorresse num ambiente mais descontraído, à mesa, ao pequeno-almoço, na casa de campo do russo, situada nos arredores de Moscovo. Em cima da mesa, estavam as relações entre os dois países, mas também dezenas de pratos de comida de um chamado pequeno-almoço de caviar, com a especialidade disposta entre chá e panquecas. Foi Emmanuel Soares o cabecilha que desenvolveu a ementa.

“A minha paixão pela cozinha começou porque, na altura, o meu irmão era diretor de um banco em Paris, mas eu não tinha jeito nenhum para os números, então ele ajudou-me. Tive muita sorte, ele conhecia o diretor de um hotel que tinha as contas lá e pediu-lhe para eu começar a trabalhar com ele. Portanto, posso dizer que o meu primeiro emprego foi num restaurante com duas estrelas Michelin, o Les Trois Marches, em Versalhes, sob a orientação do lendário chef Gérard Vié”, explica.

A relação entre professor e aprendiz foi intensa. Afinal, estamos a falar de cinco anos a trabalhar juntos. Era um mundo novo e Emmanuel só queria começar. Confessou ainda que se lembra do perfume de Gérard Vié e que foi ele que o incentivou a continuar e a lutar, a ter ambição e a nunca desistir.

Nos primeiros tempos, Emmanuel era o primeiro a chegar ao restaurante e o último a sair. Nunca dizia que não. Para saber tudo, sem falhar, guardava um livro com apontamentos na casa de banho, caso o chef perguntasse algo que não soubesse responder.

Aos 20 anos, depois de deixar o Les Trois Marches, continuou a carreira e passou pelo Relain du Parc, Le Do Les Trois Marchesoyen, The Ritz Club, Café de França, Le Chapeau Gris e colaborou com vários chefs reconhecidos internacionalmente, como Alain Ducasse, Ghislaine Arabian e Michele Roth. E existiram momentos de muita pressão e competição, mas também de dedicação e resiliência, para chegar onde está hoje.

O olho para a gestão de F&B (Food and Beverage), além da experiência culinária, trouxeram uma nova visão e comida de excelência a mais de 12 países, em vários resorts luxuosos galardoados, como One and Only (Maldivas), Jumeirah (Emirados Árabes Unidos), La Réserve (Suíça), Bakers Bay Golf & Ocean Club (Bahamas), Opera Hotel & Donbass Palace (Ucrânia), First IHG (Portugal) e Kenzi (Marrocos).

Da sua experiência, e mais especificamente com o conceito “cuisine bourgoise”, contam-se também os momentos em que trabalhou com políticos, como Sergio de Amaral, Family Ricard, Senator Goult, Bertrand Delanoé, François Hollande e Nicolas Sarkozy, além de Vladimir Putin. A primeira refeição que serviu, durante cinco anos em que esteve a trabalhar com o atual presidente da Rússia, foi o pequeno-almoço com Obama.

Nos últimos anos, o cozinheiro desenvolveu também uma empresa de consultoria em hotelaria, a Soares & Partners, constituída no Dubai e, agora, o novo Brant em Setúbal, depois do conceito ter chegado a Lisboa, onde já tem dois spots. Considera que “o canto” da cidade sadina é mais “pessoal”. Conhecia o dono do espaço, na Avenida Luísa Todi, onde se situava o antigo Treze Urban Café, e acabou por ficar com ele.

O Brant aposta numa grande variedade de opções, desde pastelaria a sobremesas, passando também pela comida da Ásia, da Ucrânia e de outras inspirações que fazem parte da criatividade de Emmanuel. “Não quero ser especialista em nada, neste local. O que cozinho para os clientes é o mesmo que cozinho para mim. Há muita variedade e quero que as pessoas cheguem e se deixem surpreender. Peçam o que quiserem. É um ‘outlet’ de comida e de food that matters”, diz à NiS.

Não há lógica. Só sabor, cor e aromas, a começar pelo café. O Brant é o único cliente da Nescafé com três máquinas de torrefação — uma em cada espaço. O blend especial demorou cerca de dois meses até ficar no ponto perfeito. O chef é atento aos pormenores e, em breve, a farda entre quem está na sala e na cozinha vai ser a mesma. De 100 vinhos que fez de uma seleção inicial, ficaram dez. A decoração do espaço foi também pensada ao pormenor, com ajuda da mulher, que é estilista. É minimalista e neutra. O jazz envolve os presentes num ambiente calmo e descontraído.

Há três opções de brunch, com o preço a começar nos 13€, mas é um local caracterizado pela variedade e, por isso, pode também provar ostras (desde 2,5€) ou petiscos para partilhar, como o pica-pau (15€), os tacos (desde 11€) ou “os queijos apaixonados do chef” (16€). Do menu destacam-se as bowls de açaí (9,8€), por exemplo, ou as panquecas (8,9€). Pode também provar ovos Benedict (8,6€), ou uma omelete francesa (7,9€) além dos sumos naturais e batidos (desde 3,5€), sem esquecer o café (desde 1€).

O espaço de Setúbal é um local onde o chef se sente à vontade para experimentar novos e variados pratos e espera que todos os clientes sejam surpreendidos pela experiência neste novo spot para comer o que lhe apetecer, pelas mãos de Emmanuel, que gosta de cozinhar o que quiser, e que conta com a ajuda do também chef Diego.

Carregue na galeria para conhecer alguns pratos que estão à venda no espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida Luísa Todi, 292
    2900-452  Setúbal
  • HORÁRIO
  • Todos os dias, das 8h30 às 19h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
brunch

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