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Há um bar em Setúbal que proibiu todos os plásticos (e os clientes adoram)

Depois de ter oferecido imperiais a quem apanhasse as beatas da praia, o Rockalot volta a dar o exemplo.
O bar fica mesmo em frente à Praia da Saúde

Estar sentado na esplanada do Rockalot, em frente da Praia da Saúde, a ver o mar com uma garrafa de plástico em cima da mesa vai ser um cenário impossível a partir do início de março. O conhecido bar setubalense vai substituir as garrafas de água de plástico por vidro retornável. O objetivo é sensibilizar as populações para o problema do plástico.

Mas esta não é a primeira medida ecológica adotada pelo espaço. No final do verão passado, o bar trocou as palhinhas de plástico por outras biodegradáveis e as palhetas do café (também em plástico) passaram a ser em madeira. Tal como a revista “New in Setúbal” escreveu em 2018, durante os meses de verão, o Rockalot ofereceu bebidas (refrigerante ou imperial) em troca da recolha de um copo de beatas deixadas no areal, iniciativa que deverá repetir-se no próximo verão.

Segundo Mateus Nabais, 34 anos, dono do bar: “Mais do que diminuir a pegada de carbono, a nossa ideia é deixar de usar o plástico por completo e chamar a atenção das populações para o problema”. 

Como o Rockalot fica numa zona balnear, Mateus acrescenta: “Faz ainda mais sentido o bar dar o exemplo nesta matéria e não ficar à espera das medidas governamentais. Aliás, todos os empresários têm o dever de não utilizar componentes altamente poluidores nos seus estabelecimentos”.

O bar até tem afixado numa das paredes um painel informativo sobre o tempo de deterioração do plástico.

O objetivo é alertar a população para o problema do plástico.

Setúbal tem feito um enorme esforço nos últimos anos para adotar políticas mais sustentáveis, o que já lhe valeu a atribuição do Prémio Cidade Limpa pela Associação Humana Portugal, em 2018. A instituição distinguiu as boas práticas da autarquia n gestão de resíduos, higiene e limpeza urbana. A instalação de novos contentores enterrados ou semi-enterrados, a existência de ecopontos nas escolas e a redução da utilização de fitofarmacêuticos foram os principais argumentos para justificar o prémio.

A cidade tem ainda a ajuda da Ocean Alive, a primeira cooperativa portuguesa dedicada à proteção do oceano. O projeto liderado por mulheres da comunidade piscatória, as chamadas Guardiãs do Mar já recolheu 42 toneladas de lixo marinho, mais de cinco toneladas de resíduos e eliminou cerca de 49 mil embalagens de plástico das águas do Sado, no âmbito da ação “Mariscar SEM Lixo”.

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