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Este pasteleiro inventa doces que homenageiam a cidade de Setúbal

O chefe Nuno Gil já criou os pastéis de choco, de laranja de Setúbal, D. Filipe, moscatel e muitos mais.
Um apaixonado pela cozinha e doçaria.

Em Setúbal, o nome Nuno Gil é sinónimo de doces como o pastel de choco, moscatel, pastel de Santiago, queijadas do anjo ou o D. Filipe. A verdade é que este pasteleiro é conhecido por criar doces para homenagear a excelência dos produtos regionais da Península. E quase todos os meses tem novidades para contar. 

Nuno Gil, 49 anos, começou por trabalhar na Marinha. Mas a paixão pela cozinha e pastelaria falou mais alto, o que o levou a tirar os dois cursos nas Escolas de Hotelaria e Turismo de Setúbal e Lisboa. Gosta de pesquisar sobre a história da região, onde encontra inspiração para cada criação que é pensada ao pormenor. 

O proprietário da Confeitaria de S. Julião, em Palmela já tem mais de 20 anos de carreira dividida entre cozinha e pastelaria. Confessa que todos os dias lhe surgem “ideias novas”. Criou recentemente os miminhos de maçã riscadinha parecidos com um quindim, com açúcar, amêndoa, ovos e a farinha da maçã desidratada e os bombons de aguardente Villa Palma da Adega Cooperativa de Palmela.

O pastel de choco, laranja de Setúbal, D. Filipe e moscatel são, de longe, as iguarias mais famosas até agora. Por isso, a New in Setúbal foi conhecer a história e os ingredientes de cada uma destas especialidades regionais. 

O pastel de choco de Setúbal foi criado em agosto de 2018. A propósito do Festival de Peixe, a autarquia desafiou Nuno Gil a confecionar uma sobremesa, que incorporasse um elemento de peixe. “À partida parecia uma combinação improvável, mas tive a feliz sorte de inovar nos sabores e acho que consegui criar um produto, que reafirma a importância do choco como doce na gastronomia da cidade”, conta à New in Setúbal.

É feito com base na receita tradicional do choco frito à setubalense. Leva batata doce da Comporta como elemento principal, açúcar, amêndoa e a massa é produzida com a tinta do choco. É uma excelente opção de sobremesa depois de um bom prato de peixe assado ou até mesmo de complemento ao choco frito.

Já o pastel de laranja de Setúbal (2011) tem como ingrediente principal os citrinos produzidos na região. Originalmente vinda da China, a laranja era azeda. Só depois da expulsão dos Jesuítas do Japão é que foi introduzida a técnica da enxertia que tornou as laranjas mais doces. De acordo com os registos históricos, os citrinos terão chegado a Setúbal no século XVI, transformando a cidade na “capital da laranja” famosa pelas quintas e pomares de perder de vista.

O pastel D. Filipe nasceu em 2011. O nome foi escolhido para salientar a importância do rei de Portugal e Espanha na construção da Forte de São Filipe.

A receita é uma seleção dos melhores produtos da gastronomia regional, como o mel da Serra da Arrábida, laranja de Setúbal, moscatel e o queijo de Azeitão. A caixa em tons de azul e dourado (cores do brasão da cidade) inclui o poema “Pelo sonho é que vamos”, da autoria de Sebastião da Gama.

O pastel obteve o primeiro lugar no final de 2011, no concurso “Doce Tradicional de Setúbal” promovido pela autarquia, no âmbito da IV Mostra de Saberes e Sabores, que decorreu na Casa da Baía. E foi ainda distinguido com a medalha de ouro na categoria de “Doce Típico” e “Mérito” para a embalagem no Concurso Nacional de Gastronomia, em 2016 organizado pelo CNEMA. 

Já o pastel de moscatel (2009) é feito à base de uma das bebidas mais emblemáticas de Setúbal. É um pastel alcoólico numa versão doce. A etiqueta, que envolve o bolo representa uma barrica de carvalho, onde a casta faz estágio durante vários meses.

Pode comprar todos os pastéis na Casa da Baía, Moinho de Maré de Mourisca, Forte de São Filipe, Mercado do Livramento e Sem Horas, em Setúbal. Também vai encontrar as iguarias na Casa Mãe Rota dos Vinhos, Café Retiro Azul, em Palmela e Sabores de Azeitão. Os preços vão de 1,20€ a 1,30€, em média.

Carregue na imagem para conhecer cada um dos pastéis. 

 

tags: choco, D. Filipe, doçaria regional, história, laranja de Setúbal, Moscatel, pastéis

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