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Esqueça o Porto: chegou a nova Adega das Francesinhas a Setúbal (uma é de bacalhau)

O spot abriu em junho e o conceito surgiu depois de muita pesquisa para chegar à receita ideal. Até tem uma versão de chocolate.
Uma perdição.

Começou com o pão de uma casa de francesinha e o molho de outra. Foi necessária uma degustação intensiva por dezenas de espaços no Porto para conseguir chegar à fórmula que hoje Filipe Sousa, 39 anos, de Leiria, apresenta na sua Adega das Francesinhas, em Setúbal. A verdade é que gostava muito desse prato, mas nunca nenhuma receita o tinha deixado realmente impressionado.

Tinha um restaurante em Leiria e uma cliente convidou-o, em 2015, para trabalhar num spot no Porto. Nesse mesmo estabelecimento, não havia francesinhas, o que para Filipe era impensável. Pôs mãos ao trabalho e percorreu vários restaurantes na cidade para perceber como podia chegar à receita que o satisfizesse. “Fiz uma pesquisa de modo a perceber qual era o melhor tipo de pão, de carne, de enchido, e também o molho — mais ou menos líquido, pouco ou muito guloso”, acrescenta.

O segredo das francesinhas passa mesmo — em grande parte — pelo típico molho que, regra geral, tem picante. Este é outro dos aspetos diferenciadores da Adega das Francesinhas — se quiser esse travo, terá de pedir, porque uma das principais razões, conta Filipe, que faz as pessoas não gostarem da francesinha está no intenso spicy que é colocado no prato.

Atenção, estamos a falar de uma vencedora, por isso, pode confiar que vai gostar. A receita “tradicional” ganhou, em 2016, o prémio de “Melhor Francesinha de Portugal”, por uma das Confrarias de Francesinhas do Porto. “Fiquei muito surpreendido porque venho de Leiria e consegui ganhar este prémio também porque os parâmetros de avaliação englobam tudo o que leva o prato”, realça o proprietário.

Voltou para Leiria e foi aí que surgiu a primeira Adega das Francesinhas em 2018, que tem imenso sucesso. A 8 de junho abriu a mesma casa em Setúbal, com o sócio setubalense Carlos Romão, 47 anos, e a sua mulher, responsável pelo espaço, Vera Sanchez, 44 anos, também da cidade do Sado. A escolha foi óbvia porque era também um sítio que Filipe frequenta desde miúdo, assim como a namorada, Inês, que é da família de Vera. Além disso, quando Carlos ia a Leiria ver os jogos do Vitória Futebol Clube diziam sempre para criarem uma casa de francesinhas em Setúbal também. Assim foi e nasceu o negócio destes dois sócios no Largo da Ribeira Velha, sendo que a própria localização também influenciou o desenvolvimento do projeto.

Qual a francesinha que pode escolher?

Todas as receitas foram idealizadas por Filipe, que terminou o secundário no curso de Cozinha. Considera que, de certo modo, este prato nos pode levar por uma espécie de roteiro gastronómico por Portugal e por isso tem desde a tradicional à de bacalhau — quem sabe, futuramente, uma de choco frito, como já acontece com a que tem morcela de arroz, típica de Leiria.

No menu vai encontrar “O Mosto”, que é a tradicional com carne de vaca, salsicha fresca, linguiça e o molho de francesinha (12,50€), — e que há também em tamanho XL (17,50€) — “A Uva”, que é a francesinha vegetariana, com gatin de legumes a 63.º, alheira vegetariana, cogumelos Portobello, cogumelos frescos e molho de tomate (12,50€). “O Lagar” é a francesinha de vitela, que leva também linguiça, salsicha fresca, presunto fatiado e molho jux (13€) enquanto “A Adega” é a francesinha da casa, com pluma de porco preto, chouriço, morcela de arroz, cebola caramelizada e molho de francesinha (14€).

Vai encontrar ainda na ementa “A Pipa”, que é a francesinha de frango com alheira, espinafre biológico e o molho da francesinha (12,50€), mas também “A Rolha” que é a curiosa francesinha de lombo fresco de bacalhau com alheira de bacalhau, mexilhão, camarão da costa e molho bisque (15€). Há também a francesinha exclusiva “Raclette” com carne de vitela, salsicha fresca, linguiça fumada, queijo raclette maturado e molho de francesinha (15€). Todas as francesinhas são feitas com pão de forma cozido em lenha e vêm acompanhadas de batata frita e ovo estrelado e é no pedido que deve indicar se quer acrescentar ou tirar algum ingrediente, assim como se deseja ou não picante no molho.

Para os momentos em família ou com grupos de amigos em que algum elemento não goste de francesinha, pode sempre pedir um bitoque, risotto ou um hambúrguer, desde o cheeseburguer (7€) até ao hambúrguer de camarão e tamboril (14€). Não podemos esquecer que há para sobremesa uma francesinha de chocolate (5€).

A decoração foi pensada tendo por base o conceito de adega — incluindo a entrega ao próprio trabalho. “Todas as pessoas que trabalham nas adegas andam felizes porque gostam do que fazem e foi isso que tentámos transmitir aqui também. Não é um trabalho que nos prende e tentamos passar essa energia para a comida. Se estivermos felizes, a comida vai sair boa”, acrescenta Filipe. Além disso, um dos segredos da receita da francesinha está na utilização de uma cerveja de adega.

O feedback dos clientes até ao momento tem sido “muito bom” e as doses são feitas de modo que fiquem saciados, sem ficarem cheios, até porque, segundo o proprietário, 90 por cento das pessoas dizem que não apreciam o prato por ser algo muito intenso e que leva demasiados ingredientes (além do picante). Siga o Instagram da Adega das Francesinhas para saber mais informações e para espreitar as novidades.

Percorra a galeria para conhecer mais acerca deste novo espaço de Setúbal.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo do Dr. Francisco Soveral N° 22 R/C
    2900-380 Setúbal
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado, das 12h às 15h
  • Segunda-feira a sábado, das 19h às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
francesinha

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