Quando se fala em pedir comida para partilhar, o mais provável é imaginar caixas, travessas ou embalagens de takeaway. No novo espaço que está prestes a abrir em Setúbal, a lógica é outra. O strogonoff, a massa cremosa, o coração de galinha e até as asas de frango podem sair da cozinha dentro de um balde. E não é apenas uma forma de falar.
O Sabor no Balde inaugura a 3 de outubro, na Rua Batalha do Viso, 88-A, com um conceito inspirado na cozinha brasileira e pensado para quem gosta de juntar várias pessoas à mesa. O recipiente maior tem três litros e, dependendo do prato e do apetite, pode servir entre seis e oito pessoas.
À frente do projeto estão David Montenegro, de 65 anos, e Lucineide Montenegro, de 43. Ele nasceu no Rio de Janeiro e ela é natural da Paraíba. Antes de chegarem a Portugal, viviam no Nordeste brasileiro. Os percursos profissionais são diferentes, mas acabaram por se encontrar na criação do restaurante.
David vem das áreas da gestão e do marketing. No Brasil, foi professor e diretor de empresas, passou pela indústria alimentar e chegou a montar um departamento de marketing ligado ao setor do café. Também trabalhou na construção civil e manteve uma empresa de consultoria. Antes de Portugal, viveu mais de dois anos em Dallas, nos Estados Unidos, mas decidiu regressar ao Brasil para ficar próximo da filha.
Foi há cerca de quatro anos que chegou a Portugal para fazer um mestrado em Gestão de Marketing no Instituto Politécnico de Setúbal. Inicialmente, foi o curso que o trouxe à cidade, mas acabou por se apaixonar pelas praias, pela calma e beleza local. Depois de concluir a formação, ainda passou pela direção de uma empresa portuguesa, antes de decidir investir no projeto familiar.
Lucineide seguiu outro caminho. Chef de cozinha, já tinha trabalhado num restaurante em Setúbal antes de surgir a oportunidade de avançar com um negócio próprio. A velocidade com que tudo aconteceu surpreendeu até a própria. “Nem esperava que fosse tão rápido”, conta.
A vontade de David de empreender na restauração nasceu da paixão da mulher pela cozinha. “Queria montar um restaurante para ela, que ama cozinhar”, explica. A partir daí, decidiram juntar a experiência dele em gestão e marketing ao conhecimento de Lucineide e avançar com o projeto em Portugal.
Um nome que não surgiu apenas pela embalagem
Para David, o sabor tinha de remeter para uma comida afetiva e caseira, daquelas que fazem lembrar refeições preparadas em família. “As pessoas querem comer pratos com sabor à comida da mãe ou da avó”, explica.
Porém, havia outra preocupação: conseguir juntar comida saborosa e de qualidade a um preço que permitisse alimentar mais pessoas. “A ideia era ter uma opção para viabilizar economicamente”, conta. A partir dessa necessidade surgiu o formato dos baldes, pensado para que o cliente possa pedir uma quantidade maior e, proporcionalmente, pagar menos. “Quanto mais a pessoa pede, mais poupa.”
É precisamente a imagem de um balde transparente cheio de comida que deve causar a primeira surpresa. Em vez de esconder as embalagens de takeaway, o projeto transformou-as numa das características principais do negócio. Há quatro tamanhos, identificados com nomes próprios: Baldinho, Duo, Família e Baldão.
O primeiro leva 500 mililitros. Segue-se o Duo, com um litro e o Família, com 1,5 litros. No topo da escala está o Baldão, com três litros de capacidade.
A ideia é permitir que cada cliente escolha a quantidade de acordo com a ocasião. Tanto pode ser uma refeição para uma pessoa, como um pedido pensado para uma família ou um grupo de amigos. Segundo os responsáveis, o Baldinho pode servir uma ou duas pessoas, o Duo cerca de duas a três, o Família três a quatro e o Baldão entre seis e oito.
Essa diferença percebe-se facilmente quando se olha para a ementa. O coração de galinha custa 8,90€ no Baldinho, 14,90€ no Duo, 21,90€ no Família e 39,90€ no Baldão. Ou seja, seis recipientes de 500 mililitros, necessários para atingir os mesmos três litros do maior formato, custariam 53,40€. O Baldão fica por 39,90€, uma diferença de 13,50€.
O mesmo acontece com dois dos pratos que deverão ter destaque no espaço: o strogonoff de frango e a massa cremosa. Ambos custam 8,90€ no Baldinho, 14,90€ no Duo, 21,90€ no Família e 39,90€ no Baldão.
Há frango frito, coração de galinha e feijoada no balde
O formato pouco habitual não significa que a comida seja complicada. Pelo contrário: a carta aposta em sabores conhecidos da cozinha brasileira e em pratos que funcionam facilmente numa refeição partilhada.
Um dos exemplos é o frango frito. Neste caso, não existe o formato mais pequeno: o Duo de um litro custa 13,90€, o Família de 1,5 litros fica por 19,90€ e o Baldão de três litros custa 34,90€. As asas de frango são outra possibilidade. Custam 7,90€ no Baldinho, 13,90€ no Duo, 19,90€ no Família e 34,90€ no Baldão.
Quem preferir petiscar também irá encontrar salgados variados, como coxinhas, bolinhas de queijo e outros clássicos associados aos salgadinhos brasileiros. Os preços começam nos 7,90€ pelo Baldinho e chegam aos 34,90€ no recipiente de três litros.
Aos sábados, porém, há um prato com lugar reservado na ementa: feijoada completa. É servida com arroz, farofa, couve refogada e laranja e custa 14,90€ no formato individual. Quem quiser apenas a feijoada para levar no balde também poderá escolher a quantidade. Neste caso, os acompanhamentos são pedidos separadamente.
Embora a cozinha brasileira seja a base do projeto, a intenção dos responsáveis é não ficar limitada a ela. David adianta que também pretendem introduzir propostas portuguesas na carta, dando como exemplo o bacalhau à Brás.
Nem toda a comida vem num balde
Apesar de os baldes serem os protagonistas — e de funcionarem para quem pretende levar a comida para casa ou partilhá-la com um grupo —, o Sabor no Balde é também um restaurante. Quem preferir pode sentar-se à mesa e fazer a refeição no próprio espaço, sozinho, a dois, com amigos ou em família.
Para esses clientes, há também pratos servidos de forma tradicional e sugestões que vão mudando ao longo da semana, mas o bitoque de frango é presença certa todos os dias. A carta inclui ainda entradas e acompanhamentos, o que permite montar uma refeição para dividir à mesa.
A proposta acaba por funcionar de duas formas. É possível almoçar no restaurante ou recorrer a recipientes de diferentes tamanhos quando a ideia é levar comida para casa.
David afirma, porém, que o projeto não se resume à comida ou à originalidade das embalagens. A experiência de vários anos na gestão, no marketing e também como professor deverá ser aplicada no atendimento. Atualmente, continua a dar aulas no Brasil e dedica-se, entre outras áreas, à inteligência emocional, conhecimento que considera essencial para compreender diferentes perfis de pessoas.
“Passa por saber se conhecer e conhecer os outros”, explica. É essa lógica que pretende transportar para o restaurante. “O meu desafio é tratar bem o cliente, entender o que ele quer.”
Para o empresário, perceber as diferenças entre as pessoas ajuda a ajustar a forma de comunicar e de atender cada uma delas. No Sabor no Balde, a intenção é transformar essa preocupação num dos diferenciais da casa, com “atendimento de qualidade”, valorização dos clientes, funcionários e parceiros, além de preços competitivos, qualidade dos produtos e um ambiente agradável.
Até o açaí ganhou um baldinho
A lógica dos recipientes também aparece no menu dos doces. O açaí pode ser montado pelo cliente no espaço, escolhendo as combinações de frutas e toppings. Nesse formato, custa 1,90€ por cada 100 gramas. Para takeaway e delivery, porém, volta a aparecer um dos protagonistas do conceito: o Baldinho. São 500 mililitros de açaí, com direito a duas frutas e dois toppings, por 9,90€.
Entre as sobremesas encontram-se ainda mousse, bolo e doces de inspiração brasileira, que completam uma carta virada para sabores familiares e descontraídos.
Após a abertura, o Sabor no Balde vai funcionar de segunda-feira a sábado, das 11h30 às 15h30, encerrando aos domingos.
Carregue na galeria para conhecer o novo espaço.








