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Era a taberna do Sr. António. Agora, a Tasca do Toninho serve o “melhor salmonete do mundo”

O espaço, no bairro Santos Nicolau, só vende peixe “de qualidade”. Ficou cada vez mais conhecido com o passar dos anos.
António com o seu peixe.

Se não for pela zona histórica, carismática e bairrista onde fica a Tasca do Toninho, não vão faltar razões para querer voltar. Não se vai sentar assim que chegar, nem o menu é trazido à mesa da forma a que estamos habituados. É convidado a ir ver a montra onde alguns peixes ainda estão vivos e todos frescos. E é bem possível que o famoso salmonete lhe salte à vista.

Se é de Setúbal, é quase impossível que nunca tenha ouvido falar neste spot icónico, que fica no bairro Santos Nicolau. António Oliveira, 63 anos, é o proprietário. Nasceu e cresceu naquele local. Tem o 5.º ano geral de Mecânica e até começar o negócio na área da restauração, foi pescador, assim como os restantes homens da família.

Ia para o mar desde miúdo, sempre na região, de Sines a Sesimbra. Se na maior parte das vezes as viagens eram de ida e volta, existiam momentos em que ficavam uma semana inteira no mesmo sítio. Comiam e dormiam no barco e, claro, tudo o que vinha à rede era peixe. Apanhava muito linguado, choco, salmonete e besugos.

Esta vida terminou no dia em que quase ficou sem uma perna por ficar preso no guincho das recolhas das redes, aos 23 anos. Esteve quatro anos em tratamento e nunca mais voltou a pescar. A verdade é que António nunca gostou de ser pescador e sempre que tinha oportunidade vinha trabalhar para terra. Só que era no mar que se ganhava mais dinheiro e que queria gastar, como disse à New in Setúbal, “na má vida, para extravagâncias”.

Antes de ser Tasca do Toninho, aquele spot era a taberna do Sr. António. Bebiam uns copos de vinho e de bagaço, comiam uns petiscos e conviviam. Em 1982, a mãe de António ficou com o negócio e, passados dois anos, o próprio tomou conta do projeto. Ganhava algum dinheiro e, ao início, dedicou-se também a servir pequenas refeições como choco frito, passarinhos ou amêijoa. Nessa altura, chegava às 7 horas e só ia para casa perto da uma da manhã.

Porém, o restaurante não era como está agora. Era um espaço mais pequeno, até que, há cerca de 25 anos, António ficou com a casa do lado e decidiu partir as paredes e começar a servir refeições ao almoço. Era “mais vantajoso” e, gradualmente, o novo conceito foi conquistados mais pessoas.

Claro que há clientes fiéis desde a altura da taberna do Sr. António. E esses nem pedem nada. Deixam que seja António a escolher o que vai servir. A fama deveu-se, além da simpatia e da disponibilidade, à qualidade da oferta. É que, como explicámos, António conhece o peixe e sabe escolhê-lo. E deixamos a dica: além do aspeto, tenha atenção ao olho, que deve ser vidrado.

Em agosto de 2018, o programa “Mesa Nacional”, da TVI, com Paulo Salvador e o chef Joe Best, visitou o local, com foco no salmonete, que é, segundo o chef, o “melhor do mundo”. É que este peixe, típico da região, é pescado diretamente do rio Sado e é esse o grande segredo. A cor é fácil de distinguir: esses são ligeiramente mais acastanhados. É mais suculento e saboroso. Todas as semanas, António serve entre 20 e 40 quilogramas (55€ cada) de salmonete.

Tem de gostar de peixe para comer na Tasca do Toninho. Ali, não entra carne. Apesar de existir uma estrela no menu, toda a montra é apetitosa, desde o choco (14€ a dose), ao marisco, como o camarão (42,5€), sem esquecer as douradas (40€), os linguados (47,5€) ou os robalos (40€). Bela, a mulher de António, cuida da sala e atende os clientes. 

Quanto ao futuro do negócio, o proprietário acredita que os filhos não devem continuar com o negócio da Tasca do Toninho e António confessa que já está “cansado”. Gostava de poder trespassar o negócio e que os novos donos preservassem o seu legado.

Carregue na galeria e conheça o espaço da Tasca do Toninho.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua D. Pedro Fernandes Sardinha, 81
    2910-634 Setúbal
  • HORÁRIO
  • Terça a domingo das 12h às 15h30
PREÇO MÉDIO
?
TIPO DE COMIDA
peixe

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