Teresa Sousa tem 61 anos e uma paixão profunda pela cozinha. A tia Té, como é carinhosamente conhecida, faz questão de se definir como “uma mulher de família, com raízes angolanas”. No seu país de origem, é tradição tratar por “tia” ou “tio” alguém mais velho. É um sinal de respeito e até de carinho.
Teresa ganhou esse nome pela forma generosa como acolhe todos à sua volta. “A casa da tia Té” está sempre cheia e é à volta da mesa de jantar que todos se reúnem.
E foi com base nesse espírito que surgiu a Dikanda da Tia Té, um projeto online fundado em novembro de 2025 por iniciativa das suas filhas. Há vários anos que Aline Martinho, Celine Martinho e Adirleya Ventura viam a mãe esforçar-se para conseguir subsistir, sendo incapaz de se dedicar à cozinha como tanto gosta. “Um negócio de amor”, como lhe chama.
Criado em Setúbal, o projeto tem como missão levar a comida angolana, e outras especialidades, a quem deseje saboreá-la no conforto de casa. Cozinheira de mão cheia, os resultados da tia Té falam por si: em apenas duas semanas, e sem que grande divulgação, conseguiu vender mais de 30 refeições. E os pedidos continuam a chegar.
Por trás deste impulso estão as filhas, que decidiram transformar algo que sempre fez parte do quotidiano familiar num negócio. “A nossa mãe cozinhava, nós tirávamos fotografias e os amigos perguntavam sempre se não podia fazer uma marmita para eles”, explica Aline.
O segredo das receitas herdadas dos pais
O segredo está nas receitas, que têm passado de geração em geração. É através delas que se reúnem em família e com amigos. Cada prato carrega uma história e mantém viva a ligação às raízes daquela Angola que Teresa deixou para trás, há mais de 30 anos, em busca de algo melhor.
Na comida existe memória. “É um peso muito grande”, conta Teresa quando fala do lugar que a cozinha tem na história da família. Quando questionada sobre como começou esta ligação à cozinha, confessa que surgiu com pais. “O meu pai foi um grande cozinheiro num restaurante em Angola e a minha mãe também cozinhava muito bem. Chegámos a ter mais de 30 pessoas em casa, e eram sempre os dois que cozinhavam”.
Hoje em dia, são alguns desses pratos que podem ser saboreados na ementa da Dikanda da Tia Té. São pedaços de história transformados num menu variado, onde é possível encomendar muamba, calulu, cachupa, funge e carnes guisadas. Além da cozinha angolana, a tia Té não é indiferente aos pratos portugueses que também fazem parte da sua história, e que faz questão de incluir na ementa.
A cozinha da Dikanda cruza influências angolanas, portuguesas e até são-tomenses, ainda que Angola esteja na raiz de todo o menu. Teresa adapta, muitas vezes, as receitas e algumas já são uma mistura de todas estas influências.
Um nome que carrega o peso da tradição
O nome do projeto não foi escolhido ao acaso. “Dikanda” vem do kimbundu, uma das principais línguas de Angola, tendo origem nas línguas bantu e kikongo, onde “kanda” significa família ou clã. Já o prefixo “di” indica coletividade. Foi o patriarca da família, o pai da tia Té, que deu o “ok” para avançarem com o nome, confirmando que estava correto.
Para as filhas, este projeto é também uma possibilidade de a tia poder fazer algo que gosta e abrandar o ritmo de trabalho. “Se este pequeno negócio crescer ao ponto de a minha mãe não precisar de sair às seis da manhã para outro trabalho, vai ser o que nos deixa mais felizes”, confessa Aline.
Já a tia Té está apenas a fazer o que sempre fez: cozinhar para continuar a juntar as pessoas à mesa. Só que agora essa mesa é um pouco maior.
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Para o fim de semana de 21 e 22 de fevereiro, pode encomendar uma dose generosa de cachupa (13,50€) para saborear em casa. As encomendas podem ser feitas até esta sexta-feira, dia 20, por mensagem privada através da página de Instagram. O levantamento pode ser feito na morada enviada após a reserva ou, por mais 3€, pode optar pela entrega em casa.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos da Dikanda da Tia Té.








