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Cabaz dos alimentos considerados essenciais já custa mais de 230€ — um “valor recorde”

Os cereais, perca e o peito de peru entre os produtos com maior aumento na última semana, revela a DECO Proteste.
Está cada vez mais difícil.

O preço do cabaz de bens alimentares essenciais aumentou 27 por cento entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2023. De acordo com uma monotorização de preços da DECO Proteste, a cesta atingiu mesmo um “valor recorde”. Custa agora 230,76€.

Peixe, carne, legumes, frutas, massas, arroz, azeite, óleo, ovos açúcar, leite, pão e farinha fazem parte do grupo de alimentos considerados essenciais. Em três grandes cadeias de distribuição alimentar já foram registadas margens de lucro brutas acima dos 40 e 50 por cento em alguns destes produtos..

As cebolas, por exemplo, são dos vegetais onde esta margem é a mais elevada (50 por cento). Quanto aos ovos, laranjas, cenouras, e febras de porco, a percentagem ronda os 40 por cento. Em relação às conservas, azeite e couve coração a margem é entre 30 e 40 por cento. Já na dourada, açúcar e óleo pode chegar aos 30 por cento.

Muitos consumidores estão a par da evolução dos preços e denunciam à DECO, associação de defesa do consumidor, situações ilegais, como os casos dos preços anunciados na prateleira serem inferiores aos registados no momento do pagamento.

Segundo a organização de defesa do consumidor, os três produtos com maiores aumentos na última semana, entre 1 e 8 de março, foram os flocos de cereais (mais 33 cêntimos), a perca (99 cêntimos) e o peito de peru fatiado (22 cêntimos). Seguem-se as laranjas (12 cêntimos), as cebolas (também 12 cêntimos) e a esparguete (sete cêntimos).

Ainda assim, entre 23 de fevereiro de 2022, véspera da invasão da Ucrânia pela Rússia, e 8 de março de 2023, o produto que mais viu o seu preço aumentar foi a couve-coração, com uma subida percentual de 123 por cento. “Comprar um quilo deste hortícola custa, atualmente, 2,32 euros, mais 1,28 euros por quilo do que custaria há um ano”, pode ler-se.

Perante o cenário, o governo garantiu que irá apertar a vigilância sobre a evolução dos preços dos alimentos. As principais cadeias de supermercados em Portugal estão, aliás, a ser alvo de escrutínio devido às acusações de “publicidade enganosa”, “práticas desleais” e “subidas de preços absurdas” e consequentes ações de fiscalização da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

O primeiro-ministro chamou a São Bento o diretor-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) para pedir explicações sobre esta situação. António Costa quis saber a justificação para os preços praticados e já estuda medidas para o caso de os retalhistas não reverem os preços em baixa próximas semanas.

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