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Afinal, os donos das populares marcas vegan são os que mais poluem

Reportagem do "The Conversation" revela este paradoxo entre as empresas que lucram com campanhas pelo ambiente.

“Com cada trinca em produtos à base de plantas, está a ajudar o mundo”, revela a Vivera, uma das muitas marcas que têm feito sucesso no mercado de alternativas mais ecológicas à carne. Acontece que por detrás deste negócio está a JBS, a multinacional brasileira que é o maior produtor de carne do mundo, afirma a “The Conversation”.

Benjamin Selwyin escreve na revista norte-americana que este é um fenómeno que se verifica na maioria das marcas que vendem produtos à base de plantas e que se promovem sob a bandeira da ecologia e da sustentabilidade. A investigação encontrou situação semelhante na Alpro, a marca que vende alternativas a laticínios, mas que desde 2017 pertence à Danone, precisamente quem mais leite vende em todo o planeta.

“O leite de vaca é responsável pelo triplo das emissões de gases com efeito de estufa do que as alternativas, além de requerer dez vezes a mesma área e duas vezes mais água potável para serem produzidas”, nota a “The Conversation”.

A cimentar este cenário está um estudo publicado em 2022 e que, segundo a revista, revela a tendência dos grandes grupos da indústria na aquisição de marcas que produzem os ditos produtos à base de plantas. “Atualmente, a indústria pecuária está assente em subsídios. Nos EUA e na União Europeia, os criadores de gado recebem mil vezes mais subsídios do que os produtores de produtos à base de plantas”, escreve Selwyn.

“Enquanto o planeta clama desesperadamente por um volte face que nos afaste do grande consumo e produção de carne, as gigantes da indústria dificilmente serão quem nos irá guiar no caminho da transição para um mundo mais verde.”

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